POR QUE O BRINCAR É IMPORTANTE PARA AS CRIANÇAS?

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O brincar é a principal linguagem da criança adquirindo novas situações e criando novas regras, desenvolvendo aspectos, sociais, emocionais, cognitivos, motores, pois, desta forma, a brincadeira traz o mundo simbólico para bem perto da criança e ao mesmo tempo ela não se desfaz do real. Brincadeira é coisa séria para os pequenos.

O brincar é a primeira manifestação das crianças e uma das mais antigas, e a pedagogização do brincar é um processo da sociedade contemporânea onde se implantou o ato de brincar como ferramenta educacional. Dentro do universo científico há uma série de teorias que se propõem em explicar a importância do brincar no desenvolvimento integral das crianças. Explicação esta que muitas vezes se faz desnecessária tendo em vista que brincar é a razão de viver de todas as crianças.

Algumas dessas teorias serão citadas a título de ilustração. Aristóteles, Chapariède, Freud, e Erikson concordam quando dizem que a criança que brinca, experimenta-se e constrói através do brinquedo, e que o brinquedo é um trabalho em construção; já Herbert Spencer defende que a brincadeira funciona como descarga de energias; Gross diz que a brincadeira é uma forma instintiva de se preparar para a vida futura; Piaget defende que o brinquedo é um aspecto de todo o comportamento, por meio da interação da criança com o meio ambiente; Aberaustury diz que o brinquedo é tido como uma situação conflitante do mundo real; Winnicotti, que o brincar é uma área intermediária entre as realidades internas e externas; Denzin defende que a brincadeira estimula a socialização e, por fim, Bontempo diz que o brincar traz valores éticos da sociedade a qual a criança pertence.

É preciso levar ainda em consideração o significado do brincar para a criança, que precisa dele para interagir com o mundo que a cerca e que, para a criança, o brincar significa não exigir nada da vida, por um momento, nada além do que ela é, não lhe cobrar nenhuma finalidade que não seja ela própria. Na atividade lúdica, a criança vivencia o mundo de forma plena, descobre o seu corpo e traz para dentro do seu universo sua realidade através de experiências de perdas, alegrias, conquistas, decisões, refletindo e construindo o seu aprendizado.

Então, diante de tudo isto, concorda-se com Paulo Freire (1979) quando diz que para acontecer o aprendizado é necessário transformar, e endossando as palavras de João Batista Freire, (1995) “não existe aprendizado sem que haja desequilíbrio”. Pode-se estabelecer com muita propriedade que a brincadeira é, sem dúvida alguma, a melhor maneira e/ou metodologia para educar/transformar cidadãos, pois por meio dela constrói-se e reconstrói-se a todo o momento papéis, funções e ações refletindo o dia-a-dia, além de ampliar a linguagem, estabelecendo novos conceitos e criando novas relações com os outros, através de um simples jogo onde há regras, vencedores, ganhadores, possibilidades e desafios a serem vencidos. Pode-se ainda entender a brincadeira como desenvolvimento, como experiência, como inteligência, como criatividade, como relações e, por fim, como responsabilidade.

A brincadeira tendo como principal função o desenvolvimento, é de grande contribuição na área cognitiva, social, física e emocional e está diretamente relacionada às experiências sensoriais vividas desde a mais tenra idade. Todos os seres vivos brincam como forma de desenvolver habilidades para a sua vida futura.

A brincadeira é a experiência da criança, por isso deve ser considerada como parte do seu processo educativo. Brincar favorece o desenvolvimento dos vínculos afetivos e sociais positivos, condição única para que possamos viver em sociedade.

A brincadeira vista como experiência tinha em Albert Eistein seu maior incentivador, pois acreditava que a brincadeira era a mais elevada forma de pesquisa. Brincar é a experiência diária da criança e faz parte do seu processo educativo.

Quando brinca, ela vive situações que favorecem o seu desenvolvimento e sua integração, relaciona suas funções corporais à sua mente. Desde o início da vida até a puberdade, as atividades lúdicas trazem ganhos para o vocabulário da criança, aumentam suas habilidades físicas, mentais e sociais, a tornam mais criativa, melhoram sua tolerância às decepções, e a ajudam a controlar sua agressividade diante do mundo e das pessoas. A relação do brincar com a inteligência e a capacidade intelectual adquirida está ligada diretamente à quantidade de estímulos que ela recebe ao longo de sua vida, portanto, a curiosidade, o prazer de descobrir e de experimentar são a base deste aprendizado, desrespeitá-los será destruir o interesse pelos estudos e pelo trabalho no futuro.

O desenvolvimento está intimamente relacionado com o brincar. Brincar é a primeira e mais efetiva experiência do aprendizado dos seres humanos. Já a criatividade está relacionada com os desafios que aparecem no seu dia-a-dia transformando o sonho em matéria. Trazer este mundo para o alcance das crianças é ampliar o seu repertório de imagens e qualidade estética diante do mundo, e recursos como música, teatro, jogos dramáticos, dança, pintura, escultura, poesia são formas de estimular e promover esta criatividade.

As brincadeiras que valorizam as relações de vínculos afetivos, de trocas sociais e culturais, de aprendizagem significativa, de formação da identidade e participação na sociedade de forma muito prazerosa são perfeitas para criar e respeitar regras se tornando fundamental para a vitalidade de uma relação.

Os brinquedos e as brincadeiras são possibilidades oferecidas às crianças para que se tornem protagonistas de suas ações. Muitas vezes o melhor brinquedo pode ser uma pessoa disposta a brincar. Quando as crianças têm a oportunidade de escolher como, onde e com quem querem brincar, elas estão desenvolvendo habilidades sociais como: organizar sua agenda, negociar com outros sobre o que fazer, construir relações sociais, aprender a dominar a frustração quando perdem o jogo etc. Saber lidar com a frustração torna-se quesito básico para ser aceito e querido no e pelo grupo.

Finalmente identifica-se a brincadeira como elemento de responsabilidade, onde as crianças estão a todo o momento comparando-se com outras pessoas e suas experiências são a única maneira de mudar seus limites. Aprendem a confiar no outro e a respeitá-lo tornando-se confiáveis e respeitosas. Vivenciando valores, estão aprendendo a ser e a conviver. Em uma brincadeira desenvolve a auto-estima, e amplia a opinião que têm sobre elas mesmas e ao mesmo tempo, a opinião dos outros sobre elas.

Nas brincadeiras aprendem a respeitar o ambiente a sua volta. Atributos que são fundamentais para o sucesso futuro, uma vez que o mercado de trabalho exige cada vez mais pessoas com comportamentos equilibrados e emocionalmente estáveis, polivalentes, criativas e com capacidade de se colocar no lugar do outro, vivendo e trabalhando em equipe.

A Brincadeira pode e deve ser considerada como meio, possibilitando o desenvolvimento pessoal, fonte de afeto, alegria e solidariedade, que podem surgir quando proporcionamos a alguém a oportunidade de brincar.

“…é a brincadeira que é universal e que é própia da saúde;
o brincar facilita o crescimento e portanto, a saúde;
o brincar conduz aos relacionamentos grupais;
o brincar pode ser uma forma de comunicação na psicoterapia;
finalmente foi desenvolvida como forma altamente especializada do brincar,
a serviço da comunicação consigo mesmo e com o outros.  Natural é brincar”.

(Winnicott,1975,p.63)

Então, que tal mandar o seu filho para um acampamento de férias e deixar que ele brinque, cresce e seja feliz sem compromisso, pois ele ainda não tem a consciência da importância do brincar para ele, mas você tem…

Um abraço

Rose Jarocki, Msc

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