A Importância do Lúdico no Desenvolvimento Cognitivo de Crianças com Autismo.

“O DIA MUNDIAL DO AUTISMO”, é celebrado anualmente em 2 de abril e foi criado pela ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS para estimular e potencializar a conscientização  acerca desta questão.

Aproveitando esta data o nosso BLOG ganhou a cor AZUL e também traz para você parte do TCC do Prof Renan Santos e Silva Hipólito.

Vale super a pena a leitura e fica aqui o nosso obrigada ao Prof Renan e uma bela reflexão para todos aqueles que tem em sua missão a educação.

A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE CRIANÇAS COM AUTISMO.

       O autismo é um grave distúrbio no desenvolvimento do comportamento que não apresenta sinais neurológicos demonstráveis, nem uma neuropatia consistente, nem mudanças bioquímicas ou metabólicas e nem marcadores genéticos (ORNITZ, p. 105, 1985). Estudos têm demonstrado que a incidência do autismo vem aumentando em numero de diagnósticos, bem como em idades cada vez mais precoces. Um estudo conduzido no Canadá demonstrou que a cada mil crianças nascidas uma teria autismo, sendo que esta prevalência varia entre 0,3% e 2,64% (BRYSON, CLARK, & SMITH,1988). Além disso, a prevalência seria duas vezes e meia mais frequente em pessoas do sexo masculino do que em pessoas do sexo feminino (BRYSON, CLARK, & SMITH, 1988; KIM E ET AL, 2011).

Em relação a Educação Física Adaptada, percebemos que, no campo dos esportes adaptados, muitos avanços têm sido feitos, especialmente no que se refere aos esportes paraolímpicos, fato este bem diferente do que constatamos em muitos espaços educativos regulares (CARMO A, 2002). No Brasil o número de pesquisas tem aumentado nos últimos anos, incluindo principalmente os trabalhos dirigidos à saúde mental (BRESSAN RA et al 2005; MARI JJ et al 2004; ROCHA FF et al 2006).

Recentemente, achados da literatura demonstraram resultados positivos na melhora da condição física e também na redução de comportamentos inadequados. (SOWA E MEULENBROEK, 2012). A cultura lúdica é antes de tudo um conjunto de procedimentos que possibilitam o jogo. Jogo este que não se restringe a regras concretas, mas a regras vagas, de estruturas gerais, imprecisas que possibilita aos sujeitos do processo organizar jogos de imitação ou de ficção (BROUGÈRE, 2002). Vários estudiosos, como (VYGOTSKY,1991 & 1997; KISHIMOTO,1998; LEONTIEV,1994; VICTOR,2000; CHICON,2004), dentre outros, têm evidenciado, em seus estudos, a importância e o papel do jogo no processo de aprendizagem e desenvolvimento da criança.

       Uma característica eminentemente conservadora é que crianças com autismo são incapazes de realizar atividades em grupos, caracteristica essa que é uma das principais dada as atividades lúdicas. No entanto, frente ás contradições presentes no cotidiano em academias e clubes, justifica-se uma intervenção que aponte para possibilidades pedagógicas, de maneira que estas possam repercutir numa melhora da saúde e qualidade de vida dessas crianças.

Sendo assim, o objetivo do estudo foi verificar a partir de uma revisão bibliográfica de artigos, teses e livros publicados; os processos inclusivos de crianças com autismo, assim como seus benefícios pela via das diferentes possibilidades das atividades lúdicas. O trabalho foi realizado com o intuito de compreender como o profissional da Educação Física pode intervir na melhoria da saúde crianças com autismo, trazendo uma discussão sobre as atividades lúdicas diante do processo de desenvolvimento cognitivo. 

  1. BASES DO CRESCIMENTO, DESENVOLVIMENTO E MATURAÇÃO PARA A ATIVIDADE FÍSICA

Crescimento, maturação e desenvolvimento humano são processos altamente relacionados que interferem diretamente nas relações afetivas e sociais, e ocorrem continuamente durante todo o ciclo vital. O crescimento inclui aspectos biológicos quantitativos (dimensionais), relacionados com a hipertrofia e a hiperplasia celular, enquanto a maturação pode ser definida como um fenômeno biológico qualitativo, relacionando-se com o amadurecimento das funções de diferentes órgãos e sistemas (MALINA, BOUCHARD, & BAR-OR, 2009; MASSA & RÉ, 2010; PAPALIA & OLDS, 2000). Já o desenvolvimento é entendido como uma interação entre as características biológicas individuais (crescimento e maturação) com o meio ambiente ao qual o sujeito é exposto ao longo da vida (GALLAHUE, OZMUN, GOODWAY, 2013; MALINA et al., 2009; PAPALIA & OLDS, 2000).

As atividades motoras devem dar maior ênfase em aspectos coordenativos e cognitivos (tomada de decisão). Considerando a individualidade da criança em função do seu ritmo de desenvolvimento biológico e experiências ambientais, a prática de atividades deve ocorrer de forma prazerosa e diversificada, o que pode levar a um aumento na competência motora (BAKER, 2003); além de influenciar positivamente o desenvolvimento cognitivo e social (TOMPOROWSKI, DAVIS, MILLER, & NAGLIERI, 2008).

O processo de aquisição de habilidades e capacidades motoras, assim como o desempenho esportivo, emerge em função das interações entre fatores biológicos e ambientais. Portanto, a infância pode ser considerada uma fase determinante desse processo, tanto pelo ritmo acelerado de alterações biológicas, como pela elevada capacidade de adequação aos estímulos ambientais. É provável que a quantidade e a qualidade dos estímulos presentes nessa fase influenciem diretamente o desenvolvimento em idades posteriores. Na adolescência, o ritmo de maturação biológica, em conjunto com as experiências anteriores, resulta numa grande variabilidade no desempenho motor.

Portanto, sem a observação da maturação biológica, não será possível interpretar adequadamente se o desempenho apresentado pelo indivíduo reflete a sua real capacidade ou se, por outro lado, está sofrendo uma interferência transitória do processo de maturação biológica. Como tal, nesta fase de desenvolvimento, além de se justificar a necessidade de adequar as solicitações motoras em função das características individuais, exige-se uma avaliação do estágio de maturação biológica (BÖHME & RÉ, 2009; PORTAL et al., 2008). Uma experiência ambiental adequada favorece o surgimento de uma boa competência motora, a qual, por sua vez, tende a aumentar a prática de atividade física. (WILLAMS et al., 2008). 

  1. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E SOCIAL DE CRIANÇAS AUTISTAS

Além da competência motora, é também importante se observar a competência comunicativa de crianças autistas, pois esta permite que os profissionais compreendam melhor a forma e a situação em que uma criança utiliza suas habilidades linguísticas. Essa avaliação deve acontecer de forma sistemática, pois dificuldades em habilidades verbais podem se manifestar como falta de reciprocidade, dificuldades em compreender sutilezas de linguagem, piadas ou sarcasmo, bem como problemas para interpretar linguagem corporal e expressões faciais. A partir deste ponto é que questões relativas ao desempenho sócio cognitivo são utilizadas como ferramenta norteadora para o processo de intervenção que melhorem o aspecto sócio cognitivo.

Primeiramente, faz-se necessário salientar que a maioria dos autistas apresentam desempenho intelectual desigual, melhor desempenho em habilidades motoras e espaciais e de 60 a 70% dos autistas apresentam déficit cognitivo (GADIA; TUCHMAN; ROTTA, 2004). O resultado de um estudo (TAMANAHA et al., 2006) evidencia as falhas cognitivas que impedem o alcance de etapas mais complexas e necessárias para o desenvolvimento da linguagem nos portadores de autismo, mesmo em situação em que o adulto fornece “o modelo” e compartilha sua atenção com a criança.

Para MATURANA; MAGRO; PAREDES (2001), uma reflexão da nossa experiência com outras pessoas, é também uma reflexão sobre relações humanas, e de maneira tradicional, abordar o ato cognitivo tem a ver com a indicação de algo externo. Em outras palavras, no caminho explicativo da objetividade, o máximo que se pode fazer é descrever as características da consciência; que significa descrever as características do fenômeno cognitivo, mas não explicá-lo. Partindo do pressuposto de que a criança com autismo, sob o olhar da abordagem cognitivista, apresenta características peculiares quando comparadas as outras crianças, julga-se necessário implementar atividades que possam minimizar alguns desses efeitos.

  1. ATIVIDADES LÚDICAS PARA CRIANÇAS AUTISTAS E SUA APLICAÇÃO NA PRÁTICA

As brincadeiras são uma arma do lúdico que visa desenvolver todo o potencial psicomotor, social, afetivo e cognitivo da criança que é portadora do autismo. Proporcionando uma sessão prazerosa, respeitando todas as etapas do seu desenvolvimento. Atividades lúdicas são realizadas a partir de jogos e brincadeiras que tem como principal essência, divertir o praticante. Suas regras são sempre maleáveis e modificadas de acordo com o público em questão no momento e com o objetivo maior. Essas atividade auxiliam bastante no desenvolvimento social e motor, especialmente em crianças com autismo, que sofrem do retardo no desenvolvimento destas valências. Por meio de uma brincadeira uma criança autista pode aprender a relacionar-se com outras, aprender a pedir, dar, esperar, argumentar, saltar, rastejar, correr, agachar e escalar dentre tantos outros benefícios.

De acordo com a literatura, fica claro o desenvolvimento de crianças com autismo através da ludicidade. Um estudo de caso realizado com uma criança participante do GAC (Grupo de Apoio a Crianças) que realizava atividades lúdicas semanalmente com duração de uma hora, em horários sequenciais atividades livres e direcionadas que consistem em desenhos pinturas e jogos. Considerou uma melhora significativa em seu comportamento refletindo em seu entorno social. Um outro estudo, com amostra de 11 crianças autistas, de 3 a 6 anos, de ambos os sexos, utilizou critérios propostos por Wetherby e Prutting (1984) e comparou o desempenho lúdico das crianças em duas situações de observação distintas: livre e dirigida. O estudo concluiu por meio deste modelo que o incentivo, levou a criança a explorar novas formas de brincar. Essas descrições sugerem que a análise do jogo da criança portadora de autismo, com participação ativa do profissional, pode levar à descrição de seu modo e prognóstico da comunicação. Reforçando portando a importância também do profissional na condução dessas atividades.

Pesquisas bibliográficas, que envolviam como palavras-chave “o autismo” e o lúdico”, observaram que terapia e tratamentos que envolviam a ludicidade proporcionavam a criança uma melhora na qualidade de vida e também na forma de agir, fazendo com que elas percebessem suas habilidades e pudessem desenvolver muitas outras.

Desse modo fica claro que jogos, brincadeiras e até brinquedos, contribuem para o desenvolvimento social e cognitivo de crianças autistas, porém, é importante esclarecer que não se tem uma cura, mas uma minimização dos sintomas, assim levando a uma melhor qualidade de vida e mais inserindo mais essas crianças no meio em que vivem.

ESCRITO POR Renan Santos e Silva Hipólito.

Então, já pensou em utilizar os Acampamentos de Férias como possibilidade de desenvolvimento social e cognitivo?

Pense nisto e deixe aqui o seu comentário.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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